O Nordeste do Brasil enfrenta uma seca fortíssima em 2012, em Santa Maria da Boa Vista a situação não é diferente. Localizada no semiárido pernambucano, a cidade é banhada pelo rio São Francisco, mas possui extensa área de sequeiro, visto que é um dos municípios com maior área territorial do estado.
Recentemente recebemos carta reivindicatória da comunidade de São Miguel, umas das várias comunidades da região de sequeiro de Santa Maria da Boa Vista. Na carta a comunidade pedia que os governantes agissem rapidamente para combater a seca. No seu teor a carta reivindicava que a Adutora do Garças saísse do Açude Saco para que não só o São Miguel como muitas outras comunidades fosse beneficiadas.
Diante da reivindicação, fomos conferir de perto a Situação daquele Açude, como também Fazer um histórico da sua construção. O que vimos foi um cenário preocupante, o açude Saco se encontra com aproximadamente menos de 5% do seu reservatório. Confiram as imagens do antes e depois do açude saco, uma foto retrata uma realidade do passado, onde a região prosperava com a aguá e peixe em abundancia, época festeja com a festa do tomate. a outra retrata os dias de hoje, um açude prestes a secar e as autoridades não se movimentam para reativa-lo, torna-lo perene, Será impossível? é fácil fazer a transposição? Hoje a comunidade de Açude Saco ainda realiza a Festa do Tomate, mesmo sem produzir nenhum fruto.
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| Açude Saco II - Em época de chuva |
| Açude Saco II - Seca de 2012
Conheça a História e dados do Açude Saco II:
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DESCRIÇÃO GERAL
A barragem do Açude Saco ll, situada no município de Santa Maria da Boa Vista (antigo Coripós), no estado de Pernambuco barra o rio das Garças, afluente do rio São Francisco, a l6km do povoado de Jutaí, A obra faz parte do sistema de perenização do rio das Garças e tem como finalidade principal a irrigação.
O lago criado pela construção da barragem cobre uma área de 2.022 ha e acumula um volume de 123.524.000 M39 oferecendo um potencial para irrigar 4.500 ha, além de proporcionar o cultivo de vazante e a prática de piscicultura. capaz de gerar um potencial hidrelétrico de 540 CV.
HIDROLOGIA
A hidrologia da bacia do Açude Saco li foi objeto de vários estudos.
Para o dimensionamento do volume armazenável do açude, utilizou-se a fórmula do Eng. Aguiar para os seguintes parâmetros: área da bacia hidrográfica estimada em 2.972km² precipitação média de 500 mm, produzindo um volume afluente de 129 x l 06 m³.
Em 1958, os estudos foram revisados utilizando-se a mesma metodologia e novos parâmetros. Para uma bacia hidrográfica de 2.565 km² e uma precipitação média de 500 mm, foi encontrado um volume afluente de l 29 x 10 m³.
Mais recentemente, foi realizado através de consultaria um novo estudo, com novos parâmetros. Para os estudos pluviométricos e fluviométricos, foi utilizada a metodologia das áreas de influência, determinadas através dos polígonos de Thiessen, para os postos da região. Os dados pluviométricos sofreram homogeneização com preenchimento de falhas e análise pelo método duplo acumulativo. Foram avaliadas a chuva média na bacia, a chuva secular e a chuva máxima provável, através da metodologia de Ryves e Aguiar.
A avaliação dos volumes afluentes foi realizada através de estudo do balanço hídrico do açude. A seguir, estes dados foram testados através do balanço hídrico realizado para os outros postos fluviométricos da região, com a chuva média calculada para os postos pluviométricos, pela metodologia citada anteriormente. Foi assim realizado o ajustamento, estabelecida a relação chuva x deflúvio e estimados os valores anuais de deflúvio para 37 anos de observação. O estudo do volume regularizado foi então avaliado, considerando a operação do açude através de retiradas constantes (Fig. 2).
CARACTERÍSTICAS HIDROLÓGICAS
Área da bacia hidrográfica 2.507Km²
Comprimento do talvegue 90km
Classificação da bacia tipo 3 ou de topografia média, da classificação de Ryves com U=1; k=0,20 e 20C = 1
Pluviometria média 557mm
Cheia secular 2.063m³/s, de acordo com a metodologia de Ryves ou 1.620m³/s, através da metodologia de Aguiar.
Deflúvio médio 64,86 x 10 m³

Fig. 2 - Curvas corta x área x volume
GEOLOGIA E GEOTECNIA
O local da barragem é formado geologicamente por micaxistos, Na ombreira direita existe um dique de quartzito bastante resistente, onde se localiza o vertedouro (Fig. 3).

Fig. Perfil longitudinal pelo eixo
ARRANJO GERAL
A concepção geral do projeto compreende um conjunto de obras de terra/concreto, que objetiva uma adaptação econômica às características topográficas e geológicas do local da obra. O conjunto de obras consiste de uma barragem de terra compactada, com seção homogênea, fechando o vale principal e estendendo-se lateralmente em um trecho mais baixo da margem esquerda. Na margem direita, em uma sela topográfica, foi implantado o vertedouro (Fig. 4).

Fig. 4 - Arranjo Geral
BARRAGEM
A barragem tem seção homogênea, com enrocamento de pé a jusante. No trecho de montante, a escavação da fundação é mais profunda, formando um "cut-off", de base alargada, até o pé do talude de montante. Na margem direita, em uma sela topográfica, foi implantado o vertedouro. O talude de montante é de l V:2H até a cota 429,50; l V:2,5H entre as cotas 429,50 e 419,50 e l V:3H até o leito do rio. O talude de jusante tem inclinação de l V:2H em toda a sua extensão e uma banqueta de 2 m na cota 429,50. A proteção do talude de montante é feita por um enrocamento de pedra jogada sobre uma camada filtrante de pedregulho e areia com espessura de 30 cm. A espessura do enrocamento é de 60 cm. O talude de jusante é protegido por gramado e tem no seu pé um dreno em "rock-fiii". A largura do coroamento mede 7 m e sua extensão é de 460 m, com altura máxima de 26,70 m, acima do leito do rio. O maciço tem um volume de 547.400 M3 de terra, sendo 6.195 M3 de areia e 23.540 m3 de enrocamento (Fig. 5).

Fig. 5 - Seção transversal da barragem
TOMADA D'ÁGUA
A tomada d'água consta de duas tubulações de ferro fundido, tendo cada uma o diâmetro de l m. Os tubos são envolvidos por uma camada de concreto com anéis antipercolantes, espaçados de 7,40 m. Toda a estrutura repousa sobre um embasamento em rocha resistente. O acesso da água às tubulações é feito por duas comportas circulares, manobradas por meio de macacos manuais, fixados no alto da torre de comando. Esta torre é construída em concreto armado, e seu acesso é feito por um passadiço, também em concreto, localizado na estaca 6 do eixo da barragem (Fig. 6).

Fig. 6 - Tomada d´água
VERTEDOURO
O vertedouro, implantado na ombreira direita do boqueirão, consta de um corte em rocha e de um muro vertedouro, perfil Creager, em concreto ciclópico, -tendo ainda um dissipador de energia em concreto simples. A largura é de 160 m, e sua soleira foi fixada na cota 431,00. Foi dimensionado para uma descarga de 1.620m³/s (Fig. 7).

Fig. 7 - Planta do vertedouro
CONSTRUÇÃO
A barragem foi construída por administração direta do DNOCS e teve início em 1962, tendo sido concluída em 1970.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASDNOCS/CONSÓRCIO OESA/TECNOSOLO IOTI/EPTISA.Estudo de reconhecimento e viabilidade para o Projeto de Irrigação do Açude Público Saco II. S.n.t.DNOCS.3.D.R. Memória justificativa e descritiva da análise de estabilidade da barragem do Açude Público Saco II.Receita, 1966. 7p.Memória justificativa e descritiva do Projeto do Açude Público Saco II. Recife, 1964. 19 p.Memória justificativa e descritiva do Projeto do sangradouro do Açude Público Saco II. Recife, 1967. 22p
| CARACTERÍSTICA TÉCNICAS | |||
| CAPACIDADE | 123.524.000m³ | VOLUME DE TERRA | 547.400m³ |
| LOCALIZAÇÃO | Sta. Maria da Boa Vista - PE | VOLUME DE ENROCAMENTO | 23.540m³ |
| SISTEMA SUBSISTEMA | São Francisco | VOLUME DE TRANSIÇÕES | 6.195m³ |
| RIO BARRADO | das Garças |
VERTEDOURO
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| BACIA HIDROGRÁFICA | 2.507km² | TIPO | Perfil Creager, com Dissipador |
| BACIA HIDRÁULICA | 2.022ha | LARGURA DA SOLEIRA | 160m |
| PRECIPITAÇÃO MÉDIA ANUAL | 557mm | LÂMINA MÁXIMA | 2,93m |
| VOLUME MORTO | 4.315.750m³ | DESCARGA MÁXIMA | 1.620m³/s |
| NÍVEL D´ÁGUA MÁXIMA | 433,93 | REVANCHE | 8,50m |
| ÁREA IRRIGADA | 4.500ha | CONTA DA SOLEIRA | 431,00 |
| PROJETO | DNOCS | TOMADA D´ÁGUA | |
| CONSTRUÇÃO | DNOCS | TIPO | Galeria com Torre |
BARRAGEM
| COMPRIMENTO | 80m | |
| TIPO | Terra homogênea | DIMENSÃO DA SEÇÃO | O=1,00m |
| ALTURA MÁXIMA SOBRE AS FUNDAÇÕES | 26,70M | DESCARGA | 3,80m³/s |
| EXTENSÃO PELO COROAMENTO | 460m | ALTURA DA TORRE | 21m |
| LARGURA DO COROAMENTO | 439,50 | DISSIPAÇÃO A JUSANTE | Caixa Dissipadora |
| VOLUME TOTAL DO MACIÇO | 577.135 | ||
