Memorial
Iniciado
no ano de 1991, o Projeto sempre buscou associar o teatro à formação
integral da juventude, de tal modo que, além da apresentação de
culminância, sempre realizada na sexta-feira da Paixão, diversas outras
atividades se realizavam tanto na cidade quanto em comunidades rurais.
O
formato atual do espetáculo, com quatorze atos (ver resumo do
espetáculo), bem como o texto próprio do espetáculo, foram concebidos em
1993, quando da terceira edição. Na sexta edição (1996) foi incorporada
a queima de fogos de artifício como prenúncio pascal no final do
espetáculo. No ano de 1998 (sétima edição), o Rio São Francisco é
utilizado pela primeira vez como cenário para a apresentação.
Nos
anos de 1997, 2002, 2003, 2004, 2006 e 2007 o projeto foi interrompido
em função principalmente de dificuldades financeiras, não obstante o
fato de que algumas atividades do Projeto tenham ocorrido também nestes
anos.
No
ano de 2009, a conscientização ecológica ganha contornos mais fortes, e
as atividades extra-espetáculo são reorganizadas. Diversas palestras e
oficinas passaram a ser realizadas nas escolas da sede e de comunidades
rurais. O próprio Projeto, até então chamado de Projeto Paixão, ganhou
novo nome e passou a se chamar Paixão do São Francisco. É também
neste ano que nasce a parceria Grupo Maria Auxiliadora, Pastoral da
Juventude do Meio Popular e a Associação Nação Coripós.
Em
2010 a Paixão do São Francisco foi contemplada pelo II Edital
Pernambuco de Todas as Paixões, recebendo pela primeira vez recursos da
FUNDARPE/Governo de Pernambuco, o que permitiu um salto de qualidade ao
espetáculo, especialmente no que se refere à construção de cenários,
figurino e divulgação. Ademais, entramos definitivamente no Ciclo
Pernambuco de Todas as Paixões.
A
princípio formado apenas pelos participantes do Grupo Maria
Auxiliadora, da Pastoral da Juventude do Meio Popular, o espetáculo foi
abrindo-se gradualmente para outros públicos, de tal forma que
atualmente agrega jovens atores de diversos segmentos, religioso, das
comunidades quilombolas, juventude organizada rural, estudantil,
constituindo-se como espaço de convivência e construção de cidadania. De
modo similar, o número de espectadores vem crescendo anualmente,
chegando a alguns milhares de pessoas.
Localização do Evento
Cidade
da Rede Integrada de Desenvolvimento do Sertão do São Francisco,
situada a 650 Km do Recife, Santa Maria da Boa Vista possui aproximadamente 44 mil
habitantes, segundo o último censo do IBGE, e tem na agricultura a base
de sua economia. Localizada na região estigmatizada como “polígono da
maconha”, é carente de políticas públicas voltadas para a juventude, de
apoio a projetos culturais e de oportunidades de emprego e renda, o que,
aliada aos altos índices de violência da região, gera baixa perspectiva
de crescimento para os jovens.
Atividade
realizada apenas com membros da comunidade boavistana, a Paixão de
Cristo de Santa Maria tornou-se oportunidade ímpar para que nossos
jovens desenvolvam o gosto pela cultura e o prazer pelo fazer teatro. A
culminância do Projeto acontece anualmente na Sexta-feira da Paixão,
através de um espetáculo ao ar livre, dividido em 14 atos,
configurando-se como parte integrante do calendário cultural do
município. Projeto se insere num dos mais expressivos movimentos culturais
pernambucanos: o Ciclo das Paixões. Chamada pela mídia da capital de “A
Paixão do São Francisco” vez que é a única apresentação do gênero que se
utiliza do “Velho Chico” como parte do seu cenário. Distingue-se das
demais apresentações ao superar a ênfase puramente cultural por associar o
aprendizado de técnicas de teatro à formação da cidadania.
Realizado sempre com recursos escassos, o Projeto foi interrompido por alguns anos em virtude das dificuldades financeiras. A criatividade e o aproveitamento de materiais e equipamentos alternativos vêm superando estas dificuldades e gerando resultados animadores, especialmente quanto ao desenvolvimento dos jovens e adolescentes envolvidos. Dado o baixo potencial econômico local, a contemplação no Edital Pernambuco de Todas as Paixões, como ocorrido em 2010, potencializa o projeto, tanto no que diz respeito à qualidade do Espetáculo, o quanto da realização das oficinas e palestras.
Realizado sempre com recursos escassos, o Projeto foi interrompido por alguns anos em virtude das dificuldades financeiras. A criatividade e o aproveitamento de materiais e equipamentos alternativos vêm superando estas dificuldades e gerando resultados animadores, especialmente quanto ao desenvolvimento dos jovens e adolescentes envolvidos. Dado o baixo potencial econômico local, a contemplação no Edital Pernambuco de Todas as Paixões, como ocorrido em 2010, potencializa o projeto, tanto no que diz respeito à qualidade do Espetáculo, o quanto da realização das oficinas e palestras.
O Espetáculo
Apresentado
em quatorze atos, o espetáculo se utiliza das paisagens naturais e
arquitetônicas da cidade para encenar os mais significativos
acontecimentos da vida de Jesus. As
três primeiras cenas (O Batismo, Tentação de Cristo e Escolha dos
Apóstolos) acontecem às margens do São Francisco, fortalecendo o vínculo
do Projeto com a conscientização ecológica.
As
cenas de quatro a dez (Sermão da Montanha, Traição de Judas, Santa
Ceia, Prisão de Jesus, Negação de Pedro, Julgamento no Sinédrio e
Arrependimento de Judas) ocorrem na Praça Capitão Luiz Barros,
utilizando-se da Igreja Matriz (do início do século XVIII) e diversas
construções do século XIX, enfatizando o viés histórico-cultural.
A
Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, a Praça da Saudade e a Orla Fluvial,
pontos turísticos da cidade, tornam-se palco para as cenas finais do
espetáculo (Jesus Diante de Pilatos, A Via Sacra, Crucificação e
Ascensão de Cristo).
O
texto da apresentação é próprio, adaptando trechos dos evangelhos de
João, Lucas, Mateus e Marcos ao teatro de rua. Além de ser o único do
Estado de Pernambuco lançar mão do Rio São Francisco como cenário, o
espetáculo também se destaca por, de modo singular, não utilizar vozes
gravadas, acontecendo todo o espetáculo ao vivo, sem dublagem.
Divulgação: Ponto de Cultura - Associação Nação Coripós/ PJMP.
Divulgação: Ponto de Cultura - Associação Nação Coripós/ PJMP.
