quinta-feira, 22 de março de 2012

Memorial Paixão do São Francisco, de 1991 aos dias de hoje, conheçam...

Memorial 

Iniciado no ano de 1991, o Projeto sempre buscou associar o teatro à formação integral da juventude, de tal modo que, além da apresentação de culminância, sempre realizada na sexta-feira da Paixão, diversas outras atividades se realizavam tanto na cidade quanto em comunidades rurais.

O formato atual do espetáculo, com quatorze atos (ver resumo do espetáculo), bem como o texto próprio do espetáculo, foram concebidos em 1993, quando da terceira edição. Na sexta edição (1996) foi incorporada a queima de fogos de artifício como prenúncio pascal no final do espetáculo. No ano de 1998 (sétima edição), o Rio São Francisco é utilizado pela primeira vez como cenário para a apresentação.
Nos anos de 1997, 2002, 2003, 2004, 2006 e 2007 o projeto foi interrompido em função principalmente de dificuldades financeiras, não obstante o fato de que algumas atividades do Projeto tenham ocorrido também nestes anos.
No ano de 2009, a conscientização ecológica ganha contornos mais fortes, e as atividades extra-espetáculo são reorganizadas. Diversas palestras e oficinas passaram a ser realizadas nas escolas da sede e de comunidades rurais. O próprio Projeto, até então chamado de Projeto Paixão, ganhou novo nome e passou a se chamar Paixão do São Francisco. É também neste ano que nasce a parceria Grupo Maria Auxiliadora, Pastoral da Juventude do Meio Popular e a Associação Nação Coripós.
Em 2010 a Paixão do São Francisco foi contemplada pelo II Edital Pernambuco de Todas as Paixões, recebendo pela primeira vez recursos da FUNDARPE/Governo de Pernambuco, o que permitiu um salto de qualidade ao espetáculo, especialmente no que se refere à construção de cenários, figurino e divulgação. Ademais, entramos definitivamente no Ciclo Pernambuco de Todas as Paixões.  
A princípio formado apenas pelos participantes do Grupo Maria Auxiliadora, da Pastoral da Juventude do Meio Popular, o espetáculo foi abrindo-se gradualmente para outros públicos, de tal forma que atualmente agrega jovens atores de diversos segmentos, religioso, das comunidades quilombolas, juventude organizada rural, estudantil, constituindo-se como espaço de convivência e construção de cidadania. De modo similar, o número de espectadores vem crescendo anualmente, chegando a alguns milhares de pessoas.

 Localização do Evento

Cidade da Rede Integrada de Desenvolvimento do Sertão do São Francisco, situada a 650 Km do Recife, Santa Maria da Boa Vista possui aproximadamente 44 mil habitantes, segundo o último censo do IBGE, e tem na agricultura a base de sua economia. Localizada na região estigmatizada como “polígono da maconha”, é carente de políticas públicas voltadas para a juventude, de apoio a projetos culturais e de oportunidades de emprego e renda, o que, aliada aos altos índices de violência da região, gera baixa perspectiva de crescimento para os jovens.  
Atividade realizada apenas com membros da comunidade boavistana, a Paixão de Cristo de Santa Maria tornou-se oportunidade ímpar para que nossos jovens desenvolvam o gosto pela cultura e o prazer pelo fazer teatro. A culminância do Projeto acontece anualmente na Sexta-feira da Paixão, através de um espetáculo ao ar livre, dividido em 14 atos, configurando-se como parte integrante do calendário cultural do município. Projeto se insere num dos mais expressivos movimentos culturais pernambucanos: o Ciclo das Paixões. Chamada pela mídia da capital de “A Paixão do São Francisco” vez que é a única apresentação do gênero que se utiliza do “Velho Chico” como parte do seu cenário. Distingue-se das demais apresentações ao superar a ênfase puramente cultural por associar o aprendizado de técnicas de teatro à formação da cidadania.
Realizado sempre com recursos escassos, o Projeto foi interrompido por alguns anos em virtude das dificuldades financeiras. A criatividade e o aproveitamento de materiais e equipamentos alternativos vêm superando estas dificuldades e gerando resultados animadores, especialmente quanto ao desenvolvimento dos jovens e adolescentes envolvidos. Dado o baixo potencial econômico local, a contemplação no Edital Pernambuco de Todas as Paixões, como ocorrido em 2010, potencializa o projeto, tanto no que diz respeito à qualidade do Espetáculo, o quanto da realização das oficinas e palestras.

O Espetáculo

Apresentado em quatorze atos, o espetáculo se utiliza das paisagens naturais e arquitetônicas da cidade para encenar os mais significativos acontecimentos da vida de Jesus. As três primeiras cenas (O Batismo, Tentação de Cristo e Escolha dos Apóstolos) acontecem às margens do São Francisco, fortalecendo o vínculo do Projeto com a conscientização ecológica.
As cenas de quatro a dez (Sermão da Montanha, Traição de Judas, Santa Ceia, Prisão de Jesus, Negação de Pedro, Julgamento no Sinédrio e Arrependimento de Judas) ocorrem na Praça Capitão Luiz Barros, utilizando-se da Igreja Matriz (do início do século XVIII) e diversas construções do século XIX, enfatizando o viés histórico-cultural.
A Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, a Praça da Saudade e a Orla Fluvial, pontos turísticos da cidade, tornam-se palco para as cenas finais do espetáculo (Jesus Diante de Pilatos, A Via Sacra, Crucificação e Ascensão de Cristo).  
O texto da apresentação é próprio, adaptando trechos dos evangelhos de João, Lucas, Mateus e Marcos ao teatro de rua. Além de ser o único do Estado de Pernambuco lançar mão do Rio São Francisco como cenário, o espetáculo também se destaca por, de modo singular, não utilizar vozes gravadas, acontecendo todo o espetáculo ao vivo, sem dublagem.


Divulgação: Ponto de Cultura - Associação Nação Coripós/ PJMP.